quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

porta- retrato



Fala,
Vai, Fala!
Diga que eu não sei
Conte-me tudo o que não sei
Mostre-me os tons que não notei sozinha
Apresente-me as palavras que não conheço
Liste os livros que não li,
Os filmes que não assisti,
Os lugares que não fui,
Os poetas que ainda não admiro,
Os quadros que não compreendi.

Fala!
Vai... Fala
De mim
Diga que eu não sei
Conte-me tudo o que não sei
De mim
Mostre-me meus tons
Apresente-me as palavras que inventei,
Liste os livros que escrevi,
Os filmes que atuei,
Onde estou,
A poeta que sou,
Meu porta retrato.

shhhh

canta,
pia
perto,
enquanto
cada
gota
cai,
grita
gata,
grita
gaia!
gota
cria
gato

grito 
cria
calo.
a gota
esvaia...
cai a
gota,
caia,
gota...
quanta
gota
cai!
a
gota
cai a
gota
cai a
gota
cai,
e meu peito encharca.

Ela

Não seria uma
Pura
Não poderia ser
Mas é sempre a rua
A fula
E seria sempre a tua...
Mas a queria tão, tão crua
Que te fura a cora crua
Se afoga e aflora a lua
E tudo mais que não a nadifica
Modifica
Nudifica
Mas o que é que fica?
E como ela está?

sábado, 8 de setembro de 2012

escuta

Essas pessoas todas
Todas essas
Se soubessem de tudo
Quem amei e o quanto foi
Que chorava agora pouco
E que meu coração doeu muito há dois dias

Há dois dias eu não era

Se elas soubessem que eu não estou bem
Mas que ontem eu ri muito
Se todas essas pessoas aqui tão perto
Se elas soubessem tudo o que errei

Tão perto
Não ouvem o que sinto

Se as pessoas
Se todas essas pessoas soubessem
Para quem foi todo o meu amor
De quem foi o amor que tive
Toda flor que já ganhei
Que hoje engoli um grito
 E meu coração doeu de novo

Se elas soubessem o quanto gosto de cores
Que enfeito o meu quarto aos sábados
Que se tem sol
Sorrio
E se ganho poesia
Também

As pessoas aqui
Todas elas
Se soubessem
Tudo o que ouvi
O quanto minhas costas doem
E que as dores não são minhas
São de quem não pode doê-las
Se elas soubessem que eu nem gosto dessa blusa
Que eu às vezes pulso
Mas às vezes me expulso de mim
Que choro todo dia
Que eu não me mataria
E que essa cara de sozinha

Essas pessoas todas
Todas essas pessoas aqui
Se elas soubessem que eu não estou bem
E se elas soubessem
Não sei

sábado, 11 de junho de 2011

banho de gato

manifesta a língua no teu corpo!
Como se precisasse
da maçã que comia
e engasgar-me dela
para lágrima aos olhos,
precisei.
E como se apenas disso chorasse,
chorei.

Embora as escolhas marcassem meu rosto
e as certezas dormissem na noite,
sem medo do escuro entrei.

Como se precisasse de música para dançar,
cantei companhia, dancei.
E meu peito molhado
do choro engasgado,
as certezas, a noite, a dança...

Como se precisasse cansaço.
Parei.

domingo, 29 de maio de 2011

Sobre viver tenho pouco o que contar
canto mais que como
e pouco tenho
entanto pra te dar

Só sendo solto
porque seco o céu já é.
Levo um pano, molho, torço
só pra molejar o pé.

(zé teu)
Todo papo, deixa pra lá,
Acaso, vem cá.
Aberto, sorriso é,
em verso
Ensejo de te ver.

presentedomello

ruminas

No ônibus rumineiro
ciência, os nomes, o tempo
aqueles caras.

Mas a vida chama atenção.

Estico o pescoço, prolongo os olhos
e pela janela percebo a vida.
Sorrio, você sabe, ao vê-la

Minha cabeça descansa aos ombros
e meu coração se abre
à janela que ruminas.

domingo, 22 de maio de 2011

da minha vida

diz posição,
gris por opção
contrair sãos,
cor: tradição.
com traição
morro e culpo deus

da minha noite

afoga os fatos e a fé reforça.
disfarça as fotos e fica oca.

da minha noite - ou mais um pesadelo

Morta a mancha da sombra do trem que passa lá fora e uma vela.
Eu passo.
Vela dos mortos que mancham parede, passam de trem e uma sombra.
Eu fora.
Nem sombra da mancha que passa, nem vela que sopra lá fora e só.
Eu morro.

terça-feira, 3 de maio de 2011

do que quero acreditar

A Teogonia mostra que o Amor também é filho da Noite.

de dia

Sou livre para o silêncio das formas e das cores.
Manuel de Barros

sexta-feira, 1 de abril de 2011

amor,
dar à cor,
dar amor
tecer há dor.
dar amor
dar a tor
mentará mor

a cor,
dar amor
tará dor
mecer a mor
a cora dora
tor

acordar amor,
acordar amor,
acordar amor.

terça-feira, 22 de março de 2011

ma faute

Influência de um monte de coisa que não dá pra ver.
Errada do tamanho do amor, sua intensidade: cacho-cheiro-corpo-cor.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

E a Dora que passe
agora que a face é a fase que força

Solta do laço
Suma do paço
De passo-a-aço
o espaço de Dora

Adora o que faço
Gora o que abraço
Sente-se sola

domingo, 15 de fevereiro de 2009

só tenho duas taças,


meu vício não larga o vinho e a virtude que vinha, viu.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

sai, cai

cessa selo.
só celulite e celular.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

se esta, festa

intimista
mais porcento
que assento
pouca pouco
chega um
outro
ai, já para
satisfaz
com mais nada
sinto mais
tudo
paz em pais
extremista
gosto quando faz
surpresa!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Mira se te basta!

Se só, sozinho,
se sol o cansaço o casta.
Para estar sujeito,
basta viver
e basta!

Demora no morro
sem dó
morro e
dizer que basta
Inunda!

O intervalo ativo não para,
não cessa
e quem é alto quer peça!

O órgão passa e quem cala só sente

Que basta! a massa
é o sujeito, a pasta
sem infância, é fato
Feito folha, amassa
o ser suspeito, a farsa
em ré sem traço,
é traça

Tiram-te a raça e te passam pra trás,
te compram de graça,
basta.


Não foi convidado à festa,
enche o peito digno e a boca honesta:
-

A face clara o nega (pra mais de três vezes)
Diariamente crucificado
Não era santo, não
Era gente que só vendo

Sem ar, sem credo,
sem par, sem acesso ao sucesso.

Esvaziam-no o peito,
sem respaldo, sem respeito
Assim que esteve
Sujeito por viver direito.

pó de sofia só

Sofia só saiu sem dó pois sentiu um pingo de sentimento seco em seu nó apressado enquanto assava de poeira e pó seu sapato apertado.
Abaixou na sarjeta, o arrumou. Levantou com cautela à mazela e saiu deslocada a danada!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

descolorindo

De bicicleta ela passou.
Não me viu, não.
Notei seus olhos tristonhos. Olhos roxos e a face murcha dos anos não vividos. Acho desse o motivo da cotidiana e rotineira falta de vida, estampada de branco na camisa preta.
Só pude perceber que transparente era e transparente sua alma expirava.
Tão bem mal vivida que as cores se foram com as oportunidades, com as pessoas que se foram com os lipídios, as cores que se foram com o colágeno, que se foram junto aos seus dias.
Deixou apenas o branco, as dobras e um resto de pano que se fez vestido. O mesmo lilás da pele que passava a baixo dos olhos baixos, também demarcava com precisão as linhas que corriam até o início do fresco vestido, que a cobria até os joelhos cansados.
Sem que tivesse me visto a vi. Seus olhos sem acesso, enquanto passavam se despediam.
A Púrpura e sua amarela passaram e sua vida as seguiu.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

NOTA

o excesso leva ao recesso
por tempo indeterminado
tudo é besta
e nada basta

grande bosta

domingo, 17 de fevereiro de 2008

manhã

Mira Maria o ermo na maré o remo é arma
Rima Mara o remo, rama, menina arara

Aurora mira o rumo, prumo de rima rara

Mara iria,
marca de rima no muro
Mara irá,
trama mora na mira, amora na mira da rama

Aurora maracá

amarela, arara e rama rumam na mira do teu há

Aurora maracá.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Ah! Essa vida que não me embriaga.
Que não da o gosto da ressaca.
Que não me mostra a garrafa
para o prazer da inveja de quem bebeu da vida.
-se pensa em que sentir,
não é sentido.
é um limitado mandando em tua libído,
é um pesado meio reprimido.
SENTIDO! 


Riram
Sua atenção retorna à mesa

-nem que seja sentimento?
-nem que minta e nem que menta.
sê sabida,
não se entenda.


Ela agradece o brinde e sorri.
Envenenada foi sua voz que me disse oi
Envenenada foi sua voz que me procurou
E em meu ouvido assim que achou sussurrou depois
Envenenando com loucura feito palavra
Envenenada foi sua voz que me deu bom dia
E bem de perto lábio, pele tudo se fazia
Envenenada foi sua voz que calou no beijo
Envenenada minha mente entregue à voz
Envenenado estava o sol trazendo a chuva fria
E seu veneno preparava o escurecer do dia
Envenenando-me já foram mais de treze copos
A chuva desce a noite cai e o plano começando
Os panos fui tirando como um quadro sem moldura
Branca me deitava bela, nela uma escultura
Envolta tudo estava certo como o combinado
Envenenado o sol não respondeu por si
A sua voz não me soava mais como veneno
Pois seu veneno estava todo colado em mim
Baixa, rouca, estreita, seca estava a minha voz
Que seu veneno impedia à louca de sair
O grito inchava meus pulmões de ar envenenado
E minha boca bem tampada queria gritar
O corpo meu assim parara de se debater,
Minha garganta assim parara de se sufocar
A alma despedia-se da chuva que ficava
O sol, a chuva, envenenados caíram a chorar
E eu de longe via sua alma entristecida
São tantas que o fim visitou de forma sutil
Pra sempre pensaremos o motivo, o crime tinto
Que cometera o fato insano delas más de mil.

Envenenada foi sua voz que a disse oi
Envenenado veio o sol, depois a chuva fria
E novamente, a palavra louca envenenada
“O sussurro, os lábios, pele...”
... E o veneno ria.