De bicicleta ela passou.
Não me viu, não.
Notei seus olhos tristonhos. Olhos roxos e a face murcha dos anos não vividos. Acho desse o motivo da cotidiana e rotineira falta de vida, estampada de branco na camisa preta.
Só pude perceber que transparente era e transparente sua alma expirava.
Tão bem mal vivida que as cores se foram com as oportunidades, com as pessoas que se foram com os lipídios, as cores que se foram com o colágeno, que se foram junto aos seus dias.
Deixou apenas o branco, as dobras e um resto de pano que se fez vestido. O mesmo lilás da pele que passava a baixo dos olhos baixos, também demarcava com precisão as linhas que corriam até o início do fresco vestido, que a cobria até os joelhos cansados.
Sem que tivesse me visto a vi. Seus olhos sem acesso, enquanto passavam se despediam.
A Púrpura e sua amarela passaram e sua vida as seguiu.