De bicicleta ela passou.
Não me viu, não.
Notei seus olhos tristonhos. Olhos roxos e a face murcha dos anos não vividos. Acho desse o motivo da cotidiana e rotineira falta de vida, estampada de branco na camisa preta.
Só pude perceber que transparente era e transparente sua alma expirava.
Tão bem mal vivida que as cores se foram com as oportunidades, com as pessoas que se foram com os lipídios, as cores que se foram com o colágeno, que se foram junto aos seus dias.
Deixou apenas o branco, as dobras e um resto de pano que se fez vestido. O mesmo lilás da pele que passava a baixo dos olhos baixos, também demarcava com precisão as linhas que corriam até o início do fresco vestido, que a cobria até os joelhos cansados.
Sem que tivesse me visto a vi. Seus olhos sem acesso, enquanto passavam se despediam.
A Púrpura e sua amarela passaram e sua vida as seguiu.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
segunda-feira, 21 de abril de 2008
domingo, 17 de fevereiro de 2008
manhã
Mira Maria o ermo na maré o remo é arma
Rima Mara o remo, rama, menina arara
Aurora mira o rumo, prumo de rima rara
Mara iria,
marca de rima no muro
Mara irá,
trama mora na mira, amora na mira da rama
Aurora maracá
amarela, arara e rama rumam na mira do teu há
Aurora maracá.
Rima Mara o remo, rama, menina arara
Aurora mira o rumo, prumo de rima rara
Mara iria,
marca de rima no muro
Mara irá,
trama mora na mira, amora na mira da rama
Aurora maracá
amarela, arara e rama rumam na mira do teu há
Aurora maracá.
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Envenenada foi sua voz que me disse oi
Envenenada foi sua voz que me procurou
E em meu ouvido assim que achou sussurrou depois
Envenenando com loucura feito palavra
Envenenada foi sua voz que me deu bom dia
E bem de perto lábio, pele tudo se fazia
Envenenada foi sua voz que calou no beijo
Envenenada minha mente entregue à voz
Envenenado estava o sol trazendo a chuva fria
E seu veneno preparava o escurecer do dia
Envenenando-me já foram mais de treze copos
A chuva desce a noite cai e o plano começando
Os panos fui tirando como um quadro sem moldura
Branca me deitava bela, nela uma escultura
Envolta tudo estava certo como o combinado
Envenenado o sol não respondeu por si
A sua voz não me soava mais como veneno
Pois seu veneno estava todo colado em mim
Baixa, rouca, estreita, seca estava a minha voz
Que seu veneno impedia à louca de sair
O grito inchava meus pulmões de ar envenenado
E minha boca bem tampada queria gritar
O corpo meu assim parara de se debater,
Minha garganta assim parara de se sufocar
A alma despedia-se da chuva que ficava
O sol, a chuva, envenenados caíram a chorar
E eu de longe via sua alma entristecida
São tantas que o fim visitou de forma sutil
Pra sempre pensaremos o motivo, o crime tinto
Que cometera o fato insano delas más de mil.
Envenenada foi sua voz que a disse oi
Envenenado veio o sol, depois a chuva fria
E novamente, a palavra louca envenenada
“O sussurro, os lábios, pele...”
... E o veneno ria.
Envenenada foi sua voz que me procurou
E em meu ouvido assim que achou sussurrou depois
Envenenando com loucura feito palavra
Envenenada foi sua voz que me deu bom dia
E bem de perto lábio, pele tudo se fazia
Envenenada foi sua voz que calou no beijo
Envenenada minha mente entregue à voz
Envenenado estava o sol trazendo a chuva fria
E seu veneno preparava o escurecer do dia
Envenenando-me já foram mais de treze copos
A chuva desce a noite cai e o plano começando
Os panos fui tirando como um quadro sem moldura
Branca me deitava bela, nela uma escultura
Envolta tudo estava certo como o combinado
Envenenado o sol não respondeu por si
A sua voz não me soava mais como veneno
Pois seu veneno estava todo colado em mim
Baixa, rouca, estreita, seca estava a minha voz
Que seu veneno impedia à louca de sair
O grito inchava meus pulmões de ar envenenado
E minha boca bem tampada queria gritar
O corpo meu assim parara de se debater,
Minha garganta assim parara de se sufocar
A alma despedia-se da chuva que ficava
O sol, a chuva, envenenados caíram a chorar
E eu de longe via sua alma entristecida
São tantas que o fim visitou de forma sutil
Pra sempre pensaremos o motivo, o crime tinto
Que cometera o fato insano delas más de mil.
Envenenada foi sua voz que a disse oi
Envenenado veio o sol, depois a chuva fria
E novamente, a palavra louca envenenada
“O sussurro, os lábios, pele...”
... E o veneno ria.
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