mira cora
passarim
sábado, 11 de junho de 2011
Como se precisasse
da maçã que comia e
engasgar-me dela
para lágrima aos olhos,
precisei.
E como se apenas disso chorasse,
chorei.
Embora as escolhas marcassem meu rosto
e as certezas dormissem na noite,
sem medo do escuro entrei.
Como se precisasse de música para dançar,
cantei companhia, dancei.
E meu peito molhado
do choro engasgado,
as certezas, a noite, a dança...
Como se precisasse cansaço.
Parei.
da maçã que comia e
engasgar-me dela
para lágrima aos olhos,
precisei.
E como se apenas disso chorasse,
chorei.
Embora as escolhas marcassem meu rosto
e as certezas dormissem na noite,
sem medo do escuro entrei.
Como se precisasse de música para dançar,
cantei companhia, dancei.
E meu peito molhado
do choro engasgado,
as certezas, a noite, a dança...
Como se precisasse cansaço.
Parei.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
EXCESSO DE COMPANHIA (Drummond)
Os anjos cercavam Marilda, um de cada lado, porque Marilda ao nascer ganhou dois anjos da guarda.
Em vez de ajudar, atrapalhou. Um anjo queria levar Marilda a festas, o outro à natureza. Brigavam entre si, e a moça não sabia a qual deles obedecer. Queria agradar aos dois, e acabava se indispondo com ambos.
Tocou-os de casa. Ficou sozinha, sem apoio espiritual mas também sem confusão. Os dois vieram procurá-la, arrependidos, pedindo desculpas.
― Só aceito um de cada vez. Passa uns tempos comigo, depois mando embora, e o outro fica no lugar. Dois anjos ao mesmo tempo é demais.
Agora Marilda é o anjo da guarda dos seus anjos, um de cada vez.
Em vez de ajudar, atrapalhou. Um anjo queria levar Marilda a festas, o outro à natureza. Brigavam entre si, e a moça não sabia a qual deles obedecer. Queria agradar aos dois, e acabava se indispondo com ambos.
Tocou-os de casa. Ficou sozinha, sem apoio espiritual mas também sem confusão. Os dois vieram procurá-la, arrependidos, pedindo desculpas.
― Só aceito um de cada vez. Passa uns tempos comigo, depois mando embora, e o outro fica no lugar. Dois anjos ao mesmo tempo é demais.
Agora Marilda é o anjo da guarda dos seus anjos, um de cada vez.
domingo, 29 de maio de 2011
domingo, 22 de maio de 2011
da minha noite
Morta a mancha da sombra do trem que passa lá fora e uma vela.
Eu passo.
Vela dos mortos que mancham parede, passam de trem e uma sombra.
Eu fora.
Nem sombra da mancha que passa, nem vela que sopra fora e só.
Eu morro.
Eu passo.
Vela dos mortos que mancham parede, passam de trem e uma sombra.
Eu fora.
Nem sombra da mancha que passa, nem vela que sopra fora e só.
Eu morro.
terça-feira, 3 de maio de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
terça-feira, 22 de março de 2011
terça-feira, 8 de março de 2011
domingo, 27 de fevereiro de 2011
domingo, 15 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
se esta, festa
intimista
mais porcento
que assento
pouca pouco
chega um
outro
ai, já para
satisfaz
com mais nada
sinto mais
tudo
paz em pais
extremista
gosto quando faz
surpresa!
mais porcento
que assento
pouca pouco
chega um
outro
ai, já para
satisfaz
com mais nada
sinto mais
tudo
paz em pais
extremista
gosto quando faz
surpresa!
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Mira se te basta!
Se só, sozinho,
se sol o cansaço o casta.
Para estar sujeito,
basta viver
e basta!
Demora no morro
sem dó
morro e
dizer que basta
Inunda!
O intervalo ativo não para,
não cessa
e quem é alto quer peça!
O órgão passa e quem cala só sente
Que basta! a massa
é o sujeito, a pasta
sem infância, é fato
Feito folha, amassa
o ser suspeito, a farsa
em ré sem traço,
é traça
Tiram-te a raça e te passam pra trás,
te compram de graça,
basta.
Não foi convidado à festa,
enche o peito digno e a boca honesta:
-
A face clara o nega (pra mais de três vezes)
Diariamente crucificado
Não era santo, não
Era gente que só vendo
Sem ar, sem credo,
sem par, sem acesso ao sucesso.
Esvaziam-no o peito,
sem respaldo, sem respeito
Assim que esteve
Sujeito por viver direito.
se sol o cansaço o casta.
Para estar sujeito,
basta viver
e basta!
Demora no morro
sem dó
morro e
dizer que basta
Inunda!
O intervalo ativo não para,
não cessa
e quem é alto quer peça!
O órgão passa e quem cala só sente
Que basta! a massa
é o sujeito, a pasta
sem infância, é fato
Feito folha, amassa
o ser suspeito, a farsa
em ré sem traço,
é traça
Tiram-te a raça e te passam pra trás,
te compram de graça,
basta.
Não foi convidado à festa,
enche o peito digno e a boca honesta:
-
A face clara o nega (pra mais de três vezes)
Diariamente crucificado
Não era santo, não
Era gente que só vendo
Sem ar, sem credo,
sem par, sem acesso ao sucesso.
Esvaziam-no o peito,
sem respaldo, sem respeito
Assim que esteve
Sujeito por viver direito.
pó de sofia só
Sofia só saiu sem dó pois sentiu um pingo de sentimento seco em seu nó apressado enquanto assava de poeira e pó seu sapato apertado.
Abaixou na sarjeta, o arrumou. Levantou com cautela à mazela e saiu deslocada a danada!
Abaixou na sarjeta, o arrumou. Levantou com cautela à mazela e saiu deslocada a danada!
quinta-feira, 17 de julho de 2008
descolorindo
De bicicleta ela passou.
Não me viu, não.
Notei seus olhos tristonhos. Com olhos roxos e a face murcha dos anos não vividos. Acho desse o motivo da cotidiana, rotineira falta de vida, estampada de branco na camisa preta.
Só pude perceber que transparente era e transparente sua alma expirava.
Tão bem mal vivida que as cores se foram com as oportunidades, com as pessoas que se foram com os lipídios, as cores que se foram com o colágeno, que se foram junto com seus dias.
Deixou apenas o branco, as dobras e um resto de pano que se fez vestido. O mesmo lilás da pele que passava a baixo dos olhos baixos, também demarcava com precisão as linhas que corriam até o início do fresco vestido que a cobria até os joelhos cansados.
Sem que tivesse me visto a vi. Seus olhos sem acesso, enquanto passavam davam “adeus”.
Bons tempos de fala, pois assim que as duas se foram seu olhar já não dizia nada.
A Púrpura e sua amarela passaram... sua vida já sem cor as seguiu.
Não me viu, não.
Notei seus olhos tristonhos. Com olhos roxos e a face murcha dos anos não vividos. Acho desse o motivo da cotidiana, rotineira falta de vida, estampada de branco na camisa preta.
Só pude perceber que transparente era e transparente sua alma expirava.
Tão bem mal vivida que as cores se foram com as oportunidades, com as pessoas que se foram com os lipídios, as cores que se foram com o colágeno, que se foram junto com seus dias.
Deixou apenas o branco, as dobras e um resto de pano que se fez vestido. O mesmo lilás da pele que passava a baixo dos olhos baixos, também demarcava com precisão as linhas que corriam até o início do fresco vestido que a cobria até os joelhos cansados.
Sem que tivesse me visto a vi. Seus olhos sem acesso, enquanto passavam davam “adeus”.
Bons tempos de fala, pois assim que as duas se foram seu olhar já não dizia nada.
A Púrpura e sua amarela passaram... sua vida já sem cor as seguiu.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
domingo, 17 de fevereiro de 2008
manhã
Mira Maria o ermo na maré o remo é arma
Rima Mara o remo, rama, menina arara
Aurora mira o rumo, prumo de rima rara
Mara iria,
marca de rima no muro
Mara irá,
trama mora na mira, amora na mira da rama
Aurora maracá
amarela, arara e rama rumam na mira do teu há
Aurora maracá.
Rima Mara o remo, rama, menina arara
Aurora mira o rumo, prumo de rima rara
Mara iria,
marca de rima no muro
Mara irá,
trama mora na mira, amora na mira da rama
Aurora maracá
amarela, arara e rama rumam na mira do teu há
Aurora maracá.
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terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Envenenada foi sua voz que me disse oi
Envenenada foi sua voz que me procurou
E em meu ouvido assim que achou sussurrou depois
Envenenando com loucura feito palavra
Envenenada foi sua voz que me deu bom dia
E bem de perto lábio, pele tudo se fazia
Envenenada foi sua voz que calou no beijo
Envenenada minha mente entregue à voz
Envenenado estava o sol trazendo a chuva fria
E seu veneno preparava o escurecer do dia
Envenenando-me já foram mais de treze copos
A chuva desce a noite cai e o plano começando
Os panos fui tirando como um quadro sem moldura
Branca me deitava bela, nela uma escultura
Envolta tudo estava certo como o combinado
Envenenado o sol não respondeu por si
A sua voz não me soava mais como veneno
Pois seu veneno estava todo colado em mim
Baixa, rouca, estreita, seca estava a minha voz
Que seu veneno impedia à louca de sair
O grito inchava meus pulmões de ar envenenado
E minha boca bem tampada queria gritar
O corpo meu assim parara de se debater,
Minha garganta assim parara de se sufocar
A alma despedia-se da chuva que ficava
O sol, a chuva, envenenados caíram a chorar
E eu de longe via sua alma entristecida
São tantas que o fim visitou de forma sutil
Pra sempre pensaremos o motivo, o crime tinto
Que cometera o fato insano delas más de mil.
Envenenada foi sua voz que a disse oi
Envenenado veio o sol, depois a chuva fria
E novamente, a palavra louca envenenada
“O sussurro, os lábios, pele...”
... E o veneno ria.
Envenenada foi sua voz que me procurou
E em meu ouvido assim que achou sussurrou depois
Envenenando com loucura feito palavra
Envenenada foi sua voz que me deu bom dia
E bem de perto lábio, pele tudo se fazia
Envenenada foi sua voz que calou no beijo
Envenenada minha mente entregue à voz
Envenenado estava o sol trazendo a chuva fria
E seu veneno preparava o escurecer do dia
Envenenando-me já foram mais de treze copos
A chuva desce a noite cai e o plano começando
Os panos fui tirando como um quadro sem moldura
Branca me deitava bela, nela uma escultura
Envolta tudo estava certo como o combinado
Envenenado o sol não respondeu por si
A sua voz não me soava mais como veneno
Pois seu veneno estava todo colado em mim
Baixa, rouca, estreita, seca estava a minha voz
Que seu veneno impedia à louca de sair
O grito inchava meus pulmões de ar envenenado
E minha boca bem tampada queria gritar
O corpo meu assim parara de se debater,
Minha garganta assim parara de se sufocar
A alma despedia-se da chuva que ficava
O sol, a chuva, envenenados caíram a chorar
E eu de longe via sua alma entristecida
São tantas que o fim visitou de forma sutil
Pra sempre pensaremos o motivo, o crime tinto
Que cometera o fato insano delas más de mil.
Envenenada foi sua voz que a disse oi
Envenenado veio o sol, depois a chuva fria
E novamente, a palavra louca envenenada
“O sussurro, os lábios, pele...”
... E o veneno ria.
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